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Meu nome é Michael. Eu sou um viciado em video games

Pesquisando para um trabalho, me deparei com esse vídeo, uma depoimento de um garoto sobre como os games estão inseridos na vida dele:

O vídeo é de 2008 mais soa como atual. Uma as frases mais brilhantes do menino é

esses jogos estão começando a me deixar emocionado. Eu lutei em guerras, temi pela minha própria sobrevivência, assisti meus companheiros morrerem em praias e florestas que pareciam mais reais que qualquer livro ou noticiário.”

Pra quem não entende o inglês, arrumei uma transcrição do vídeo em português no site do TED

Eu, como muitos de vocês, vivo em algum lugar entre a realidade e os videogames. Alguma parte de mim — uma pessoa de carne e osso – se tornou programada, eletrônica e virtual. A fronteira do meu cérebro que divide o real da fantasia finalmente começou a ruir. Eu sou um viciado em videogames e esta é a minha estória.

No ano do meu nascimento o Nintendo Entertainment System (NES) também entrou em desenvolvimento. Eu brinquei no quintal, aprendi a ler, e até comi alguns dos meus vegetais. A maior parte da minha infância foi brincando com Legos. Mas como foi o caso para a maior parte da minha geração, Eu passei muito tempo em frente a TV. Mr. Rogers, Walt Disney, Nick Junior, e aproximadamente meio milhão de comerciais sem dúvida deixaram suas marcas em mim.

Quando meus pais compraram nosso primeiro Nintendo pra mim e pra minha irmã, qualquer qualidade viciante inerente que este entretenimento eletrônico primitivo possuísse rapidamente tomou conta de mim. Em algum momento algo aconteceu.

Com a combinação de estórias simples, interativas e o acalento do aparelho de TV, meu simples Nintendo 16-bit se tornou mais do que uma fuga. Se tornou uma existência alternativa, minha realidade virtual.

Eu sou um viciado em videogames, e não é por conta de certo número de horas que passei jogando, ou noites que fiquei sem dormir até terminar a próxima fase. É porque eu tive experiências impactantes no espaço virtual, e videogames começaram a erodir meu próprio entendimento do que é real e o que não é. Sou viciado, porque mesmo que saiba que estou perdendo contato com a realidade, ainda quero mais.

Desde bem pequeno eu aprendi a me investir emocionalmente no que se desenrolava na tela à minha frente. Hoje, depois de 20 anos assistindo TV construída para me fazer emotivo, mesmo um comercial decente de seguros traz lágrimas aos meus olhos. Sou apenas um de uma nova geração que está crescendo. Uma geração que experimenta muito mais significado através de videogames do que através do mundo real. Os videogames estão se aproximando de um salto evolutivo, um ponto onde os mundos de jogos parecerão tão reais quanto os filmes que vemos nos cinemas, ou as notícias que vemos na TV. E enquanto meu senso de livre arbítrio nesses mundos virtuais possa ainda ser limitado, o que eu aprendo se aplica a minha vida real. Jogue suficientemente jogos e eventualmente você realmente acreditará que pode andar de snowboard, pilotar um avião, dirigir por um quarto de milha em nove segundos, ou matar um homem. Eu sei que eu posso.

Diferente de qualquer fenômeno cultural popular anterior, videogames nos permitem nos tornar parte da máquina. Eles nos permitem sublimar na cultura da realidade interativa, baixada, de streaming e de alta definição. Estamos interagindo com nosso entretenimento. Aprendi a esperar por esse nível de interação. Sem isso, os problemas encarados no mundo real – pobreza, guerra, doença e genocídio — perdem a inconstância que deveriam ter. Sua importância se dilui no drama sensacionalizado do horário nobre da TV.

Mas a beleza dos videogames de hoje não jazem nos gráficos realistas, joysticks vibratórios or sons surround virtuais. Ela jaz no fato que esses jogos estão começando a me deixar emocionado. Eu lutei em guerras, temi pela minha própria sobrevivência, assisti meus companheiros morrerem em praias e florestas que pareciam mais reais que qualquer livro ou noticiário.

As pessoas que criam esses jogos são inteligentes. Elas sabem o que me deixa assustado, excitado, apavorado, orgulhoso ou triste. Então eles usam essas emoções pra dimensionalizar os mundos que criam. Um jogo bem desenhado costurará imperceptivelmente o usuário no tecido da experiência virtual Enquanto se vai ficando mais experiente a percepção do controle físico desaparece. Eu sei o que quero fazer e faço. Sem botões pra apertar ou gatilhos pra puxar, apenas eu e o jogo. Meu destino e o destino do mundo à minha volta estão nas minhas mãos. Eu sei que jogos violentos fazem minha mãe se preocupar. O que me incomoda não é que violência dos videogames está se tornando mais e mais como a violência no mundo real, mas que a violência real está começando a se parecer mais e mais com um videogame.

(Música)

Esses são todos problemas fora de mim mesmo. Eu, no entanto, tenho um problema batendo à minha porta. Algo aconteceu com meu cérebro.

Talvez haja uma única parte do nosso cérebro que contém todos os nossos instintos primais, as coisas que sabemos fazer antes até de pensarmos Enquanto alguns desses instintos possam ser inatos, a maioria deles são adquiridos e todos eles estão incorporados aos nossos cérebros. Estes instintos são essenciais para nossa sobrevivência nos mundos real e virtual. Apenas em anos recentes a tecnologia por trás dos jogos permitiu uma sobreposição real de estímulos. Como jogadores nós agora estamos vivendo as mesmas leis da física nas mesmas cidades e fazendo muitas das mesmas coisas que já fizemos na vida real, só que virtualmente. Considere isto – meu carro real tem por volta de 25.000 milhas nele. Em todos os meus jogos de corrida, dirigi o total de 31.459 milhas. Até certo ponto, aprendi a dirigir através de jogos. As deixas visuais são muito similares. É uma sensação engraçada quando você passou mais tempo fazendo algo na TV do que na vida real. Quando estou dirigindo numa estrada ao pôr-do-sol tudo que posso pensar é, isto é quase tão lindo quanto meus jogos são.

Pois meus mundos virtuais são perfeitos. Mais lindos e ricos que o mundo real à nossa volta. Não sei quais são as implicações da minha experiência, mas o potencial de usar estímulos de jogos realistas em repetição em um número vasto de participantes leais é assustadora pra mim. Hoje eu acredito que o Big Brother encontraria muito mais sucesso fazendo lavagem cerebral nas massas com videogames do que simplesmente pelas TVs. Videogames são divertidos, encantadores, e deixam seu cérebro completamente vulnerável para reprogramação. Mas talvez lavagem cerebral não seja sempre ruim.

Imagine um jogo que nos ensine a respeitar uns aos outros, ou nos ajude a entender os problemas que todos nós estamos encarando no mundo real. Também há o potencial pra fazer o bem. É crítico que, à medida que esses mundos virtuais continuam a espelhar o mundo real em que vivemos, que os desenvolvedores de jogos percebam que eles têm tremendas responsabilidades diante deles. Não sei o que o futuro dos videogames reserva para nossa civilização. Mas à medida que as experiências dos mundos virtual real se sobrepôem há um potencial cada vez maior para outras pessoas sentirem o mesmo que eu sinto.

O que apenas recentemente cheguei a perceber é que além dos gráficos, som, jogabilidade e emoção é o poder de desconstruir a realidade que é tão fascinante e viciante pra mim. Eu sei que estou perdendo o controle. Parte de mim está apenas esperando pra se soltar. Eu sei que, não importa o quão incrível os jogos possam se tornar, ou o quão plano o mundo real possa parecer pra nós, devemos nos manter conscientes do que nossos jogos estão nos ensinando e como eles nos deixam sentindo quando finalmente desconectamos.

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